A Galeria



A energia que se instalou neste espaço nos últimos anos tem justificativa desde o início desse projeto que hoje se transformou na Galeria do Rock. Foi na década de 50 que Maria Bardelli, Siffredi e Beijamin Citron se uniram para criar o projeto que ofereceria espaços comerciais para o Centro de São Paulo. No texto que anuncia o projeto publicado no Jornal Estado de São Paulo em 1960 dizia: “O maior centro comercial de São Paulo”… (...)Concepção arquitetônica inteiramente nova”…(...)Grandiosas ruas cobertas, materiais e detalhes construtivos de alta categoria”.


O resultado disso foi o maior sucesso de vendas da cidade na época. Investidores e empresários arremataram as unidades em um único dia. As curvas e vãos criados por Maria Bardelli convidam e quase “sugam” os transeuntes a entrar no prédio através de seus corredores iluminados, que rasgava-se em luz natural durante todo o dia, aproximando as pessoas das vitrines, criando um bem estar pouco comum na região central de São Paulo. E a todos que passavam por aqui ofereceu-se um passeio artístico feito por Bramante Buffoni, que criou os mosaicos dos pisos de cada andar, e o curioso painel central no piso térreo, representando mulheres de quatro etnias diferentes. Será que Buffoni, através de sua sensibilidade artística, já sabia que aqui se instalaria toda a diversidade que vive em nossos corredores hoje?


A vanguarda de ser um projeto desenhado por uma mulher e ter um painel de ode ao feminino em seus corredores, além de todas as curvas postas em sua arquitetura, nos coloca em um local que reconhece a mulher e o humano que existe em todos nós, independente de sua cor, gênero, gosto. Enfim, não é à toa que todos que caminham por aqui se sentem bem.


Resgatar essa energia foi o papel que Antonio de Souza Neto assumiu quando iniciou sua administração do condomínio em 1993. Nessa época, o prédio tinha pouco mais de 50 lojas ocupadas, já existia uma ordem de interdição da prefeitura e a violência tomava conta dos corredores. Aqui existiam mais de 15 pontos de tráfico de drogas, as sedes das maiores torcidas organizadas e constantes conflitos de tribos.


Naquela época já estava instalada aqui toda a gênesis da cultura Black no piso subsolo, oriunda da Capela Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, os cabeleireiros e lojas de disco que vendiam, inclusive, ingressos para os Bailes Black no Palmeiras e Juventus. Junto a isso, algumas poucas lojas de disco de rock recentemente tinham se instalado nos pisos superiores, primeiro e segundo andar. É importante lembrar que a antiga gestão havia proibido que “esses grupos” montassem lojas com esse “perfil” na Galeria, pois acreditavam que esse público era responsável pela degradação do prédio.


Com a importante e fundamental ajuda de um grupo de condôminos, “Toninho da Galeria”, como ficou conhecido, iniciou um projeto baseado na felicidade, no coletivo, buscando referências em sua vida pessoal e na psicologia positiva, Toninho iniciou seu trabalho readequando o espaço que estava totalmente deteriorado sem nenhuma reforma estrutural desde sua inauguração. Com muita dificuldade iniciou o projeto de reformas elétrica e hidráulica do prédio, assim como a adequação às exigências da prefeitura e do corpo de bombeiros. Todo esse trabalho foi feito com muita luta, enquanto em paralelo, foi buscar um propósito e função para o condomínio.


Percebendo a força cultural que já existia nos corredores da Galeria, Toninho permitiu assim que se montassem lojas do gênero “underground”, dando de forma pioneira no Brasil, uma conotação cultural a um espaço estritamente comercial. Foi assim que se iniciou o resgate daquela energia colocada no projeto inicial. A busca por propósito e felicidade transformou a Galeria do Rock em um local em que culturas diversas vivem em coletivo e se respeitam mutuamente, além de aprenderem umas com as outras.


Outros pioneirismos se iniciaram aqui, alguns dos mais importantes é que fomos, o primeiro Case de Economia Criativa, Economia Familiar e Economia Social da Cidade de São Paulo, e talvez do Brasil. E como consequências do acolhimento das mais incríveis culturas, a primeira Skate Shop, a primeira loja de moda Rock, a primeira Sneaker Store, a primeira loja de Grafit, o primeiro salão de cabeleireiros afro, e enfim, tantos projetos e alegrias se iniciaram aqui, ofertas que supriam a demanda social e cultural que a cidade exigia, sempre de forma leve e gerando renda para milhares de famílias.


Hoje o prédio tem todas as certificações necessárias e exigidas pelos órgãos municipais, estaduais e federais. Toda a parte elétrica foi trocada por cabeamento novo, que também obedecem toda a certificação nacional e internacional. Trocamos duas escadas rolantes e os dois elevadores que são completamente novos e com sistema que gera energia através da frenagem de sua cabine armazenada em uma bateria que devolve a rede elétrica do prédio. Temos sistema de sprinkler em cobre por todo o prédio para prevenir incêndios. Além disso, em busca da eficiência energética, instalamos painéis de energia fotovoltaica na cobertura do prédio, alcançando a marca de cerca de 10% da energia comum do prédio vem de energia limpa e estamos substituindo todas as lâmpadas da área comum por led.


A Galeria do Rock é um sonho que se tornou realidade, atitude rock n’ roll e felicidade, um local que reúne milhares de pessoas por dia, das mais diversas vertentes culturais em paz e harmonia.



Esses são alguns de nossos números*:

- Fluxo: média de 510 mil pessoas por mês.


- Compras: 224 mil atendimentos por mês.


- Faturamento médio bruto por mês (lojas, sem considerar lojas prestadoras de serviços): R$ 8.960.000,00


- Empregos diretos - condomínio: 50


- Empregos diretos - lojas: 1.450


- Empregos indiretos - lojas e condomínio: 1.880.


*esses números são apenas aproximações de levantamentos passados.